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Por que as baleias migram? Entenda a chegada das baleias-jubarte ao litoral brasileiro

30 DE JUNHO, 2026
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Todos os anos, entre junho e novembro, milhares de baleias-jubarte chegam ao litoral brasileiro após percorrerem milhares de quilômetros desde suas áreas de alimentação na Antártica. A costa brasileira abriga uma das principais áreas de reprodução da espécie no Atlântico Sul, onde ocorrem o acasalamento, o nascimento dos filhotes e seus primeiros meses de vida. Mas o que leva esses gigantes a enfrentar uma viagem tão longa? A resposta está na migração, um dos fenômenos mais impressionantes da natureza, que hoje enfrenta novos desafios devido às mudanças climáticas.

As baleias migratórias realizam deslocamentos sazonais entre áreas de alimentação e reprodução. Em média, espécies como a baleia-jubarte percorrem entre 4 mil e 8 mil quilômetros durante suas migrações anuais. Em alguns casos, as distâncias podem ultrapassar 15 mil quilômetros.

Durante os meses mais frios, muitas espécies permanecem em águas polares e subpolares, onde a abundância de krill, peixes e outros organismos garante alimento suficiente para a formação de reservas energéticas. Com a chegada do período reprodutivo, esses animais iniciam a viagem para águas tropicais e subtropicais mais quentes, onde os adultos acasalam e as fêmeas dão à luz seus filhotes.

Além de favorecer a reprodução, as águas mais quentes contribuem para a sobrevivência dos recém-nascidos, que gastam menos energia para manter a temperatura corporal. Essas regiões também costumam apresentar menor presença de predadores, reduzindo os riscos durante os primeiros meses de vida.

Essa jornada exige grande gasto energético e uma impressionante capacidade de orientação. Embora os cientistas ainda investiguem todos os mecanismos envolvidos, acredita-se que fatores como a posição do Sol, o campo magnético da Terra e até características do relevo submarino possam ajudar as baleias a encontrar seus caminhos.

Onde as baleias-jubarte podem ser observadas no Brasil?

A Bahia concentra a principal área de reprodução da espécie na região, especialmente no entorno de Abrolhos e da chamada Costa das Baleias. No entanto, os animais também podem ser observados em diversos outros pontos do litoral brasileiro, como por exemplo: 

  • Espírito Santo: litoral capixaba e região de Vitória;
  • Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, Arraial do Cabo, Búzios e Ilha Grande;
  • São Paulo: Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba.

Nas últimas décadas, o aumento dos registros na costa brasileira tem refletido a recuperação populacional da espécie após o fim da caça comercial de baleias.

Como as mudanças climáticas podem afetar a migração das baleias?

Embora as populações de baleias-jubarte tenham apresentado sinais importantes de recuperação nas últimas décadas, as mudanças climáticas representam um desafio crescente.

O aquecimento dos oceanos pode alterar a distribuição de organismos que servem de alimento para as baleias, modificando a dinâmica de ecossistemas inteiros. Mudanças na temperatura da água também podem impactar áreas utilizadas para reprodução e cuidado dos filhotes. Como consequência, algumas populações podem ser obrigadas a adaptar rotas migratórias utilizadas há gerações.

Além das mudanças climáticas, fatores como o aumento do tráfego marítimo, a poluição sonora submarina e as interações com atividades pesqueiras podem ampliar as pressões sobre esses animais.

Como os cientistas acompanham a migração das baleias?

Compreender as rotas migratórias das baleias é essencial para sua conservação. Para isso, pesquisadores utilizam diferentes ferramentas e tecnologias. Uma das mais conhecidas é a fotoidentificação, técnica que permite reconhecer indivíduos a partir dos padrões únicos presentes na cauda e em outras partes do corpo. Também são utilizados transmissores via satélite, capazes de registrar deslocamentos ao longo de milhares de quilômetros, além de sistemas de monitoramento acústico que detectam vocalizações emitidas pelos animais.

Observação responsável

Observar baleias em seu ambiente natural é uma experiência inesquecível, mas deve ser realizada de forma responsável. A aproximação excessiva de embarcações pode alterar comportamentos naturais, provocar estresse e interferir em atividades importantes, como alimentação, descanso e amamentação dos filhotes. Por isso, é fundamental seguir as orientações de operadores autorizados e respeitar as normas de observação estabelecidas pelos órgãos ambientais.

Fontes: 

National Geographic Brasil e Frontiers in Marine Science

https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2022/07/baleias-jubarte-enfrentam-novas-ameacas-as-mudancas-climaticas

https://www.frontiersin.org/journals/marine-science/articles/10.3389/fmars.2022.837772/full

NOAA Fisheries

https://www.fisheries.noaa.gov/national/climate/whales-and-climate-change-big-risks-oceans-biggest-species

Great Barrier Reef

https://www.barrierreef.org/news/explainers/why-do-humpback-whales-migrate

Projeto Baleia Jubarte 

https://www.baleiajubarte.org.br/observacaodebaleias

ZERBINI, A. N. et al. Migration and summer destinations of humpback whales (Megaptera novaeangliae) in the western South Atlantic Ocean. Journal of Cetacean Research and Management, 2020. DOI: 10.47536/jcrm.vi.315.

https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/mms.13146