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Relatório internacional alerta para impactos das mudanças climáticas no oceano

26 DE OUTUBRO, 2026
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Décima edição do Copernicus Ocean State Report reuniu 125 cientistas e aponta recordes de aquecimento, elevação do nível do mar e perda de gelo marinho

O aquecimento do oceano e a intensificação de eventos extremos vêm provocando transformações significativas nos ambientes marinhos, cujos impactos, observados em diferentes regiões do planeta, estão detalhados na 10ª edição do Copernicus Ocean State Report, divulgada no fim de setembro. O relatório, desenvolvido pelo Copernicus Marine Service, da União Europeia, conta com a contribuição de 125 cientistas da Europa e de outras partes do mundo e destaca que mudanças expressivas aconteceram na última década.

Entre os principais resultados apresentados está o recorde de calor armazenado no oceano, registrado em 2025. O documento também aponta que, em 2024, o Mar Mediterrâneo e o Mar Negro enfrentaram ondas de calor marinhas sem precedentes, com temperaturas superiores à média em mais de 4,6°C em algumas áreas.

Os efeitos das mudanças climáticas também são evidentes nas regiões polares, segundo mostra o relatório. Entre 1979 e 2025, a extensão média mensal do gelo marinho no Ártico diminuiu aproximadamente 490 mil quilômetros quadrados por década, uma área equivalente, em tamanho, à da Espanha. Na Antártida, a extensão mínima histórica do gelo marinho, registrada em 2022, coincidiu com a primeira falha reprodutiva em larga escala documentada entre pinguins-imperadores.

Outra alteração significativa ocorreu no Mar de Barents, no Ártico, que passou por um processo sem precedentes de redução da salinidade entre 2016 e 2022. A mudança interrompeu temporariamente o fenômeno conhecido como atlantificação, processo em que águas mais quentes e salgadas do Oceano Atlântico avançam em direção ao Oceano Ártico.

Além disso, de acordo com o estudo, cerca de 5% do oceano global apresentou alterações persistentes nos padrões sazonais do fitoplâncton ao longo das últimas três décadas. Esses organismos microscópicos integram a base das cadeias alimentares marinhas, e mudanças em sua distribuição sazonal constituem um indicador das transformações dos ecossistemas oceânicos.

Em escala global, os indicadores reunidos pela pesquisa mostram que a temperatura do oceano aumentou significativamente desde 1960. Em consequência, entre 1999 e 2025, o nível médio global do mar subiu a uma taxa de 3,8 milímetros por ano. A partir de 2012, esse ritmo chegou a 4,2 milímetros anuais.

A acidificação é outro processo documentado. Entre 1985 e 2025, o oceano ficou cerca de 17% mais ácido. Recifes de corais, regiões polares e pequenos Estados insulares estão entre as áreas especialmente vulneráveis às mudanças nas condições ambientais marinhas.

Monitoramento científico para orientar decisões

Publicado anualmente pelo Copernicus Marine Service, o relatório utiliza dados de satélites, medições realizadas diretamente no oceano e modelos científicos para acompanhar as condições dos ambientes marinhos e identificar tendências de longo prazo. A combinação dessas fontes permite analisar aspectos físicos, biológicos e biogeoquímicos do oceano, incluindo as mudanças no gelo marinho.

A 10ª edição reforça a importância da manutenção de séries históricas consistentes de dados, sistemas operacionais de previsão e redes de colaboração científica. Essas ferramentas ajudam a diferenciar os efeitos de eventos extremos isolados das transformações graduais que ocorrem ao longo de décadas.

O conhecimento produzido pode apoiar gestores públicos, autoridades, comunidades costeiras e setores econômicos ligados ao mar na avaliação de riscos e na preparação para mudanças futuras. O relatório destaca, assim, o papel da ciência oceânica não apenas na compreensão dos processos em curso, mas também na formulação de medidas de adaptação e na tomada de decisões.

Fonte: 

https://marine.copernicus.eu/news/publication-of-10th-ocean-state-report