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Workshop no Rio discute futuro da previsão oceânica e desenvolvimento de Gêmeo Digital 

destaque-4 Segen Estefen (INPO), Pierre Bahurel (Mercator), Ricardo Jaques Ferreira (Marinha do Brasil), Marysilvia Costa (COPPE), e Janice Trotte-Duhá (INPO)
04 DE MAIO, 2026
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Representação virtual fornecerá dados para apoiar decisões rumo à instauração de uma economia azul

O Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), em parceria com a Mercator Ocean International — referência mundial em oceanografia digital —, promoveu na segunda-feira (4) o workshop internacional “Data to Decisions: Towards a Digital Twin Ocean Platform for the South Atlantic”, no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O evento reuniu especialistas brasileiros e europeus para discutir o futuro dos sistemas de previsão oceânica e o papel do Brasil na construção de um “gêmeo digital do oceano” no Atlântico Sul e Tropical.

O Gêmeo Digital é uma representação virtual do oceano, que tem como função fornecer múltiplos dados para apoiar tomadores de decisão em diferentes áreas, como, por exemplo, na pesca, no monitoramento da poluição, nas mudanças e previsões climáticas e no uso consciente de recursos para a instauração de uma economia azul. O objetivo é ampliar a capacidade do país de prever fenômenos oceânicos, monitorar mudanças ambientais e responder a eventos extremos.

A mesa de abertura contou com a participação do diretor-geral do INPO, Segen Estefen; do diretor-geral da Mercator Ocean International, Pierre Bahurel; do vice-almirante da Marinha do Brasil, Ricardo Jaques Ferreira; e da diretora de Tecnologia e Inovação da Coppe (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia), Marysilvia Costa. 

Segen Estefen, diretor-geral do INPO

“A presença de todos neste evento reflete a crescente importância da colaboração para o avanço na compreensão do oceano. No ano passado, o INPO e a Mercator firmaram um memorando de entendimento para o desenvolvimento do Gêmeo Digital do Atlântico Sul e Tropical. Essa parceria é estratégica para o Brasil e traz a possibilidade de utilizar toda a experiência da Mercator. Nós entendemos que isso será bom para o Brasil. Vai trazer a competência que temos no país para viabilizar um produto do interesse da ciência, da indústria, da defesa. Um projeto estratégico. Uma oportunidade.”, afirmou Estefen.

Segundo ele, “o workshop é um avanço nesta direção e contamos com importantes parceiros nacionais”, destacou, lembrando que o INPO já está desenvolvendo uma infraestrutura que integra diferentes bancos de dados nacionais para o desenvolvimento de modelos e simulações que permitirão previsões a partir deles. 

Um dos destaques da programação foi a apresentação de Pierre Bahurel, que abordou o desenvolvimento do sistema europeu de oceano digital. Ele ressaltou a importância da cooperação com o Brasil para a construção de uma infraestrutura global capaz de integrar dados, modelos e serviços voltados à tomada de decisão. Apresentou, ainda, a trajetória da Mercator Ocean International — organização que lidera, há três décadas, o desenvolvimento de sistemas operacionais de oceanografia digital, capazes de monitorar variáveis como temperatura, salinidade, correntes e oxigênio em escala global —, fornecendo dados do oceano para mais de 500 mil usuários em todo o mundo todos os anos.

“Estamos falando do Gêmeo Digital do Atlântico Sul, a ser desenvolvido pelo INPO e parceiros no Brasil para se conectar com o que fazemos na Europa. Uma super plataforma onde você pode saber tudo o que quiser sobre o oceano: a temperatura, as correntes, a poluição. Com estas informações, é possível agir de forma mais consciente, tomando as decisões certas”, afirmou Bahurel.

Durante a manhã, especialistas apresentaram ferramentas do Copernicus Marine e demonstraram dashboards adaptados à realidade brasileira. Outro ponto relevante do encontro foi a atuação do Decade Collaborative Centre for Ocean Prediction, representado por Enrique Alvarez, que falou sobre a importância de arquiteturas padronizadas para fortalecer sistemas nacionais de previsão.

Na parte da tarde, os debates levaram em conta também aspectos técnicos, como a assimilação de dados e as diferentes necessidades dos usuários — incluindo governo, academia, setor privado — e como as ferramentas podem atender a diferentes demandas. 

O workshop abriu espaço para a apresentação das capacidades brasileiras já existentes, incluindo sistemas de observação oceânica e iniciativas em andamento, além de apontar as necessidades e capacidades nacionais em serviços operacionais de previsão oceânica. 

A discussão final, mediada por Maria Hood, Senior Advisor for International Collaborations, Mercator Ocean International, focou nos próximos passos da colaboração entre Brasil e Europa.

Resultados

Entre as conclusões esperadas do workshop estão a definição de um plano de ação conjunto e a elaboração de entregas concretas, a serem apresentadas na Conferência da Década do Oceano da ONU, prevista para acontecer em abril de 2027, no Rio de Janeiro.

“Como resultados deste workshop, esperamos compreender as nossas capacidades nacionais e outras necessidades para a integração de serviços operacionais de previsão oceânica. Além de entender como podemos trabalhar juntos. Não se trata de um evento isolado, mas de um marco na implementação desse gêmeo digital, que desejamos levar adiante e o mais rapidamente possível”, afirmou a diretora de Infraestrutura e Operações do INPO, Janice Trotte-Duhá.