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Projeto ‘Tubarões e raias cariocas’ convoca fotógrafos a contribuir com imagens

destaque-4 Projeto procura conscientizar população sobre a importância dos tubarões para o ecossistema marinho
29 DE JULHO, 2025
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Além de mapear, iniciativa visa aumentar a empatia da população em relação a esses animais em perigo de extinção

O registro de imagens de tubarões e raias na costa do estado do Rio de Janeiro é cada vez mais frequente. Fotos e vídeos povoam as redes sociais e os veículos de imprensa. No entanto, a população da maioria destas espécies tem diminuído ao longo dos anos. O biólogo Marcelo Vianna, coordenador do Laboratório de Biologia e Tecnologia Pesqueira da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e membro da rede de pesquisadores do INPO (Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas), explica que a popularização de dispositivos, como drones e celulares, facilitou a captação das imagens dando a falsa impressão de uma maior incidência.

Para aproveitar o volume crescente de registros, o Laboratório – juntamente com o Instituto Museu Aquário Marinho do Rio de Janeiro (Imam-AquaRio), o Instituto de Biologia da UFRJ e a Euceano.org – lançou o projeto “Tubarões e raias cariocas”, convocando fotógrafos amadores ou profissionais a contribuir com um banco de imagens colaborativo. “Com as imagens, conseguimos detectar não apenas o registro das espécies, mas também a profundidade, a proporção sexual, a distribuição por tamanho e a ocorrência sazonal ao longo da costa”, explica Vianna.

Além de mapear comportamentos e características, o projeto também busca aumentar a empatia da população em relação a essas espécies, já que tubarões e raias estão entre os vertebrados marinhos com perigo de extinção. “A ideia de fazer um projeto de ciência cidadã é desfazer a imagem negativa dos tubarões, que faz com que a população não queira contribuir com a sua preservação. Precisamos desmistificar esse preconceito, mostrando a importância destes vertebrados marinhos para o ecossistema do oceano” afirma o pesquisador.

Os tubarões são grandes predadores, com um papel no oceano comparável ao dos leões nas savanas. Organismos doentes, com problemas genéticos, são prioritariamente eliminados, contribuindo para o controle de epidemias e doenças genéticas.

“Esse controle populacional funciona em cascata. Então, a gente pode dizer que a saúde do ecossistema marinho depende da saúde da comunicdade de tubarões e, consequentemente, a nossa saúde também, já que dependemos do oceano”, diz Vianna.

O projeto já conta com um banco de imagens de peixes e cápsulas ovígeras (estrutura onde os ovos são depositados), alimentado pelos pesquisadores do Laboratório de Biologia e Tecnologia Pesqueira da UFRJ e de instituições parceiras. Desde o lançamento da iniciativa, novas imagens vêm sendo  recebidas, capturadas principalmente por drones. As informações possibilitam que os especialistas detectem a quantidade de espécies que usam a costa do Rio de Janeiro por região e qual o uso que estes animais fazem da área.

Espécies de cação-frango, por exemplo, vivem ao longo da costa do Rio de Janeiro. Mas só costumam ser percebidas pela população no verão, quando costumam se aproximar do litoral para parir em águas costeiras. “Isso traz a sensação de que há mais incidência de tubarões no verão. Mas, na verdade, há apenas a aproximação de espécies que viviam em águas profundas”, esclarece Vianna. Já a raia-borboleta costuma frequentar a Baía de Guanabara. Neste caso, a área é constantemente utilizada como berçário.

Cada arquivo postado conta com a análise de especialistas antes de integrar o banco de imagens do projeto. O cuidado visa detectar a veracidade dos materiais. “A inteligência artificial, neste caso, pode ser um problema. Por isso, nosso material conta com uma curadoria. Toda imagem passa por um grupo de especialistas, como pessoas com experiência em drones e outros equipamentos, que podem atestar se foram imagens criadas ou geradas por dispositivos como estes”, diz Vianna, revelando que, após esta etapa, um grupo de taxonomistas identifica as espécies fotografadas.

Quem quiser colaborar com o projeto postando imagens e/ou vídeos de tubarões, raias e quimeras avistadas no Rio de Janeiro basta acessar o link do site. Na página de abertura há a explicação para o passo a passo da postagem e imagens ilustrativas, que revelam partes do corpo das espécies que permitem melhor identificação. O fotógrafo colaborador ainda pode acrescentar informações, respondendo a um questionário que fornece detalhes da data, local, profundidade e horário do registro.