INPO firma parcerias e impulsiona infraestrutura oceanográfica no Brasil
destaque-4Iniciativas visam desenvolver instrumentos de baixo custo e alta eficiência e promover calibração e manutenção de instrumentos oceanográficos
O Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO) assinou duas parcerias nos últimos dias: com a OceanPact Tech e com o Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá (ICTM). Os protocolos de cooperação técnica representam os primeiros passos para a implementação do Centro de Instrumentação Oceânica e do Núcleo do Centro de Instrumentação Oceânica. As iniciativas visam desenvolver instrumentos de baixo custo e alta eficiência e promover calibração e manutenção de instrumentos oceanográficos, respectivamente.
Segundo o diretor-geral do INPO, Segen Estefen, as ações atendem a uma demanda histórica da comunidade científica brasileira e à necessidade de empresas. “Isso faz parte de uma iniciativa do INPO visando à soberania nacional nessa área de instrumentação. É muito importante que os equipamentos que são usados aqui no Brasil possam ser mantidos e calibrados aqui também”, afirma.

Um dos acordos foi firmado em Maricá, no dia 31 de março, entre Estefen e o presidente do ICTM, Cláudio Gimenez. A parceria prevê a instalação do centro em uma área de três mil metros quadrados, nas dependências do instituto. A estrutura permitirá reduzir a dependência de equipamentos importados e de mão de obra estrangeira para manutenção. O próximo passo do INPO rumo à concretização da iniciativa é o desenvolvimento do projeto arquitetônico da instalação, que conta com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
“Assinar esse protocolo de intenções de cooperação técnica com o INPO é muito importante, pois buscamos parceiros para desenvolver pesquisas sobre a Economia do Mar em Maricá”, afirmou Gimenez.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), por meio do sistema Comex Stat, indicam que o Brasil importa anualmente entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões em instrumentos de medição e controle — categoria que inclui sensores utilizados em monitoramento oceanográfico, como temperatura, salinidade, pressão, correntes e qualidade da água. Embora não sejam exclusivos do setor oceânico, esses números evidenciam a dependência tecnológica externa do país.
Com a criação do centro, a expectativa é tornar os custos mais competitivos e reduzir os prazos para manutenção de equipamentos, atualmente enviados ao exterior. Os instrumentos desenvolvidos serão aferidos pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).
“Tenho 30 anos de carreira como oceanógrafa e sempre me perguntei por que o Brasil não tem uma infraestrutura capaz de calibrar os instrumentos mais básicos da oceanografia, como é o caso do CTD, que é um perfilador de temperatura e salinidade, que a gente usa em todas as pesquisas e cujos sensores temos que mandar para o exterior para serem calibrados. Precisamos ter uma infraestrutura em nosso país que não permita essa dependência externa. Nossa parceria está começando com o CTD, mas vai muito além dele”, destaca a diretora de Infraestrutura e Operações do INPO, Janice Trotte-Duhá.”
Entre as tecnologias previstas estão boias oceanográficas, estudos para veículos autônomos submarinos (AUVs) e embarcações de menor porte. O projeto também inclui a capacitação de mão de obra especializada, com potencial de geração de empregos.
Calibração de equipamentos do tipo CTD
A assinatura do acordo com a Oceanpact Tech, que ocorreu na quarta-feira (01), prevê a criação do Núcleo do Centro de Instrumentação e Calibração Oceanográfica (Cico) no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O Cico terá como foco inicial a calibração de equipamentos do tipo CTD, assegurando rastreabilidade metrológica e padronização de procedimentos alinhados a padrões internacionais. A iniciativa também prevê capacitação técnica e desenvolvimento tecnológico voltado ao suporte de operações no ambiente marinho.
“O INPO é uma iniciativa maravilhosa do Brasil. O país está conseguindo instituir um organismo forte para cuidar do oceano. Vamos ter espaço também para desenvolver novos sensores de medição e previsão meteorológica para monitorar e explorar o oceano”, completa Mauricio Latado, CEO da OceanPact Tech.
A implementação contará ainda com a colaboração da Ocean Scientific International (OSIL), do Reino Unido, referência global em instrumentação oceanográfica, que contribuirá com transferência de conhecimento e apoio à certificação internacional.
“Estamos dando um passo importante para concretizar esta infraestrutura no Brasil, de termos um órgão de excelência, pessoas capacitadas e o desenvolvimento de instrumentos nacionais. Este é um avanço estratégico para alinhar o Brasil às melhores práticas internacionais no setor”, ressalta Leonardo Barreira, diretor de tecnologia da OceanPact.

Para Estefen, o INPO teve uma semana emblemática em relação à instrumentação oceânica. “Agora temos duas tarefas para desenvolver. A partir de um projeto apoiado pela FINEP, vamos preparar o projeto executivo desse Centro de Instrumentação Oceânica e, ao mesmo tempo, vamos importar equipamentos que visam a calibração de CTDs para serem instalados em um local da UFRJ, em conjunto com a OceanPact. São dois caminhos que vão se encontrar lá na frente. Esse Centro será o grande hub de convergência das atividades nacionais em instrumentação oceanográfica”.