Diretora do INPO defende construção de uma inteligência oceânica nacional em evento no ITS Rio
Dados OceânicosGêmeo DigitalJanice Trotte-Duhá destacou a importância de transformar conhecimento científico em soluções para a sociedade
“É essencial termos uma inteligência oceânica nacional.” A afirmação da diretora de Infraestrutura e Operações do INPO, Janice Trotte-Duhá, sintetizou a principal mensagem de sua participação no evento “Rumo ao Rio 2027: a Década do Oceano em chave de tecnologia, dados e inovação”, realizado nesta quarta-feira (16) pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio).
Durante o painel “Do dado à decisão: infraestrutura de dados e gêmeos digitais do Atlântico Sul”, Janice defendeu que o Brasil possui capacidade científica e operacional para avançar na produção de inteligência oceânica, mas ainda precisa reconhecer o valor estratégico dos dados produzidos e transformá-los em ferramentas para apoiar políticas públicas e a tomada de decisão.
“Temos modelos e temos capacidade operacional, o que falta é valorizar esses dados. O Brasil tem um grande repertório acadêmico, mas precisamos traduzir isso e reconhecer o valor de um dado oceânico”, afirmou.
Janice explicou que esse processo passa por duas etapas fundamentais: primeiro, repatriar os dados oceanográficos produzidos por diferentes instituições e, em seguida, torná-los interoperáveis, permitindo que sejam integrados e utilizados de forma eficiente.
Ao abordar o desenvolvimento do Gêmeo Digital do Atlântico Sul, Janice explicou que a iniciativa parte do princípio de que o modelo criado para o Atlântico Norte não pode ser simplesmente reproduzido na região sul-atlântica, cujas características oceanográficas e ecológicas são distintas. A proposta é construir uma plataforma capaz de representar as especificidades do Atlântico Sul e gerar informações mais precisas para pesquisa, monitoramento e tomada de decisão.
Ela também destacou que informações provenientes, por exemplo, da agitação marítima, de bóias oceanográficas e de diferentes sistemas de monitoramento podem alimentar interfaces digitais capazes de apoiar a gestão pública. Como exemplo, citou a possibilidade de integrar esses dados aos centros de operações das cidades para antecipar eventos como ressacas, reduzindo impactos sobre a população e atividades econômicas.
Janice também reforçou a necessidade de acelerar esse processo para que o país esteja preparado para a Conferência da Década do Oceano de 2027. Segundo adverte a diretora, “se quisermos chegar em 2027 preparados, não podemos esperar 2027 chegar”. Nesse contexto, ela destacou que o INPO lidera o processo de atualização do Plano Nacional de Implementação da Década do Oceano e convidou pesquisadores, gestores, organizações e demais interessados a contribuírem com essa construção por meio das Oficinas Livres da Década do Oceano, iniciativa que busca ampliar a participação da sociedade na definição das prioridades para os próximos anos.
Durante o evento, os demais painelistas abordaram diferentes perspectivas sobre o papel da tecnologia na agenda oceânica. O diretor-executivo do ITS Rio, Fabro Steibel, destacou o potencial econômico dos dados oceânicos e a necessidade de gerar valor a partir dessas informações, comparando os gêmeos digitais a ferramentas amplamente utilizadas no cotidiano, como aplicativos de navegação.
O co-fundador da 2811, Waldo Soto, apresentou iniciativas da empresa voltadas ao empreendedorismo azul e ao engajamento de jovens na preparação para a Conferência da Década do Oceano. Já Bernardo Ainbinder, subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Prefeitura do Rio de Janeiro, defendeu que o Rio aproveite a conferência como uma oportunidade para construir um legado permanente para a cidade, enquanto Anita Valle, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ressaltou a importância de aproximar o conhecimento produzido nas universidades da sociedade.