INPO lidera a promoção das oficinas livres da Década do Oceano
Inscrições estão abertas e iniciativa busca ampliar a participação social no processo de construção do Plano Nacional
Mais de 30 oficinas livres, de 12 estados brasileiros, já foram inscritas e contribuirão na atualização do Plano Nacional de Implementação da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, instrumento que orienta a atuação brasileira. A proposta pretende ampliar a participação social no processo, incorporando tanto o conhecimento científico quanto os saberes tradicionais em um dos mais importantes encontros mundiais sobre ciência oceânica. A iniciativa promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e liderada pelo INPO, em parceria com a Maré de Ciência, fará parte da contribuição do Brasil na 3ª Conferência da ONU da Década do Oceano, que será sediada em abril de 2027 no Rio de Janeiro. As inscrições para as oficinas livres estão abertas até agosto no site www.decada.inpo.org.br
“Estamos satisfeitos com as propostas e aguardando muitas outras. As temáticas de Economia Azul e Cultura Oceânica têm sido mais recorrentes. Até agora, são 12 os estados representados. É preciso que busquemos uma maior distribuição regional. Mais propostas oriundas das regiões Norte e Sul do Brasil, por exemplo, que estão em menor número até agora”, afirma a diretora de Infraestrutura e Operações do INPO, Janice Trotte-Duhá.
As oficinas deverão estar alinhadas a um dos sete eixos temáticos definidos para o processo: Conservação, uso sustentável dos recursos e combate à poluição; Observação e monitoramento do oceano e adaptação às mudanças climáticas; Segurança alimentar e pesca sustentável; Economia azul sustentável; Cultura oceânica e justiça, equidade, diversidade e inclusão; Financiamento, cooperação internacional e governança; e Infraestrutura de pesquisa e transformação digital.
Os encontros poderão ser presenciais, virtuais ou híbridos e deverão reunir, no mínimo, 20 participantes, de forma a garantir diversidade e inclusão. Ao final de cada oficina, os organizadores deverão encaminhar as recomendações por meio do formulário disponível no site, em até dez dias após a realização do encontro. Podem participar os mais diferentes setores da sociedade como, por exemplo, representantes de instituições públicas ou privadas, movimentos, ONGs ou coletivos sociais, comunidades indígenas, quilombolas, tradicionais e escolas.
Segundo o diretor de Pesquisa e Inovação do INPO, Andrei Polejack, não há limite para o número de inscrições de oficinas livres. “Conforme vamos recebendo, verificamos se as propostas estão de acordo com as diretrizes de adequação ao tema e participação, entre outras. Todas estão sendo avaliadas”, destaca.
A iniciativa representa uma oportunidade de fortalecer a construção coletiva da agenda brasileira para a Década da Ciência Oceânica. Para Polejack, trata-se de uma “escuta ativa no processo de atualização do Plano Nacional da Década, com o objetivo de melhor compreender quais são os pontos em que o país tem maior interesse, nesse movimento mundial pela ciência que precisamos para o oceano que queremos”.
Após a fase das oficinas livres, a agenda de atualização para o Plano Nacional contará com a realização de oficinas temáticas, que reunirão especialistas e representantes da sociedade entre outubro e dezembro deste ano. Esses encontros terão como ponto de partida as recomendações emanadas das oficinas livres, e pretendem desenvolver sugestões e debates, trazendo um olhar em escala nacional. Serão promovidas ao menos cinco oficinas, com possibilidade de realização em diferentes regiões do país, coordenadas por instituições de referência na temática abordada. Os resultados das oficinas temáticas subsidiarão a Oficina Nacional, consolidando o conhecimento e, enfim, avançando na atualização do Plano.
A Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021–2030), instituída pela ONU, é uma iniciativa global coordenada pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO (COI/UNESCO) para fortalecer o conhecimento e a gestão do oceano.